quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Embracing Waves

There’s this musician guy I know








There’s this musician guy I know,
and he, I can tell you when he sings
that he knows not what I see
beyond the surface of his tones
and the magic of his strings.
There’s a love with no oppose
as long as he’s, madly, craved by me.
I guess he feels all my desires
and urges bursting out like fire;
He smiles with evil joy within,
hence I know he longs for me…
And chord by chord he plays me rough
like cotton picks around my neck,
and pitches drifting by my skin.

Núria R. Pinto

Captain's Corelli Mandolin

"Love is a temporary madness. It erupts like an earthquake and then subsides. And when it subsides you have to make a decision. You have to work out whether your roots have become so entwined together that it is inconceivable that you should ever part. Because this is what love is. Love is not breathlessness, it is not excitement, it is not the promulgation of promises of eternal passion. That is just being "in love" which any of us can convince ourselves we are.

Love itself is what is left over when being in love has burned away, and this is both an art and a fortunate accident. Your mother and I had it, we had roots that grew towards each other underground, and when all the pretty blossom had fallen from our branches we found that we were one tree and not two."

John Donne

“Nenhum homem é uma ilha isolada. Cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa toda fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria. A morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do género humano... E por isso não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Quase tão perto

Era quase tão certo
como ter a tua mão ao acordar.
Quase tão perto de um fim tão óbvio
e tão banal: ser imortal em ti!
Cobrar de mim a dor tão certa...

Quase tão real,
como rever em mim
todas as faces do nosso amor,
foi procurar em ti
o caminho para lá da dor.

Núria R. Pinto

O dia em que ela quis

Ela bem disse
que o medo, um dia, a iria consumir.
Eu não ouvi, tão pouco quis saber.
Julguei ter a razão em mim
e todo o tempo para a fazer sair sem
a deixar cair.

Foi só no dia em que ela quis
mostrar um pouco mais de si:
Quis entender as voltas que se dá
em torno das conversas de chá e
das falsas aparências.
Consequências,
de ser mais uma entre os demais.
Joana não quis crer
que a vida dá,
mas tira sempre mais.

Núria R. Pinto

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Amália

Não sei se alguma vez mais terei coragem de afirmar, por um momento de insatisfação repetina que seja, que não se faz (fez) nada de jeito neste país... Somos, todos os dias, um admirável mundo novo! Maravilhoso :)

Amália Rodrigues - Summertime

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Carta de Amor I

Amor,
Todas as cartas de amor são ridículas. Não fosse esta mais uma carta de amor e não seria ridícula.

Nunca sonhei com príncipes encantados. Nunca fui daquelas meninas que brinca com bonecas em palácios, à espera que o príncipe encantado viesse salvá-la da torre num cavalinho. Nunca fui uma princesa. A vida, mesmo para uma criança como eu fui, era simples. E para uma criança de pensamento simples, o amor era esperar que se tenha idade suficiente até encontrar alguém de quem se gosta minimamente, e depois o tempo passa, e és feliz. Parece-te bem. Pelo menos, seguro. Eventualmente amas alguém. Quando tens 10 e ainda não tens bem a certeza se o coelho da Páscoa ou o Pai Natal existem ou não e nem consegues bem perceber como é que todas aquelas coisas nos filmes acontecem na TV e na vida real não, mas sabes que consegues dar a mão a alguém e sentires aquele amorzinho. Mais tarde, e há medida que amas mais e mais, naquela fúria de sentires que és amado por tudo e por todos, na necessidade desmedida de sentires que é desta que vais ser feliz, vais matando todos os fantasmas e, muitas vezes, todos os sonhos. E, estupidamente, todos chegamos aquela fase em que amamos com o corpo porque amar com o coração parece nunca ter resultado. Nunca fui uma princesa. Mas vais passeando por aí, conheces alguns príncipes, é verdade…O príncipe que te ama tanto mas que no fundo apenas te quer porque o amas; o príncipe que te ama tanto, mas tanto, mas que no fundo ama muitas princesas ao mesmo tempo; o príncipe que te ama tanto, mas tanto, mas tanto, mas que no fundo deixa de te amar quando o amas; e, entre milhares de outros príncipes, o príncipe que te ama tanto, mas tanto, mas tanto, mas tanto que tu achas que nunca na vida te irá encontrar.

Aquele que olha para ti e te faz sentir a mais bela do Mundo inteiro. Aquele que te ouve quando falas. Que te ouve melhor ainda quando não falas. Que te dá a mão quando precisas da força para enterrar as lágrimas. Que te faz sorrir quando choras. Que sabe chorar contigo. Aquele que te diz que és a mulher da sua vida. Aquele que te diz que és a sua vida. Aquele que se ri contigo, se ri de ti, se ri dele próprio. Que te faz rir. Aquele que te adormece com um beijo. Que te acorda com um beijo. Aquele que te diz que quer envelhecer contigo. Que te faz desejar que esse momento chegue depressa. Aquele que te diz que o Mundo não faz sentido sem ti. Aquele que te diz que és o seu Mundo. Aquele que te ajuda a superar tudo. Que supera tudo contigo. Aquele que te promete que vai ficar para sempre. Aquele que fica para sempre. Aquele que te vai buscar à China às 5h da manhã num autocarro lotado com dezenas de homem com mau aspecto e ainda fica à tua espera à chuva com um casaco para não te molhares porque não quer que te constipes. Aquele que fica contigo e te faz torradinhas e chá se te constipares. Aquele que quer gritar ao Mundo que te ama. Aquele que grita ao Mundo que te ama. Aquele que te diz que és a melhor coisa que lhe aconteceu quando estás insuportável e a única coisa que lhe apetece fazer é bater com a porta. Aquele que te diz sempre que sim. Aquele que sabe sempre quando te dizer não. Aquele que te aponta os erros que cometes. Aquele que sabe pedir-te desculpa. Que te pede desculpa. Que não é perfeito, não é um príncipe.
Nunca sonhei com príncipes encantados. Nunca fui uma princesa. E no entanto estou mais parte do sonho do que alguma vez estive na vida...porque te amo.
Truly yours,
Núria R. Pinto

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Fascinação


Elis Regina - Fascinação



No mínimo, fascinante...Como dois seres têm a capacidade de se unir em perfeitas e quase divinas quimeras, de construir castelos ilusórios e ao mesmo tempo detentores de um poder absurdamente real e transformador. Uma força bruta, maquinal, que nos consome, nos alimenta, nos engradece e nos diminui. Sim, esta é a minha definição de amor.

Núria R. Pinto

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A quoi ça sert l'amour?

O tempo voou para te ver,
para te ter aqui.
Subiu as escadas a correr para te dizer
que és janela por onde a vida se revela
e a tristeza se estanca em mãos no cabelo e beijos na boca.
Por debaixo da porta,
já amanhã era e pouco interessava.
Só a luz dos olhos sedentos
de amor nos ouvidos e chocolate na língua
e risos espetados na parede…
Esquece que é dia e acaba!
Hoje é madrugada no teu olhar
e para sempre nas tuas mãos.

Núria R. Pinto

terça-feira, 11 de agosto de 2009

You can't escape from madness when you're a genius

Don McLean - Vincent
Paintings of Vincent Van Gogh (1853 - 1890)

"Loucos são os loucos que me chamam louco mas não conseguem atingir a minha loucura."

(Jim Morrison 1943-1971)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Seventh Art

Sunshine (1999)

The film follows a Jewish family living in Hungary through three generations, rising from humble beginnings to positions of wealth and power in the crumbling Austro-Hungarian Empire. The patriarch becomes a prominent judge but is torn when his government sanctions anti-Jewish persecutions. His son converts to Christianity to advance his career as a champion fencer and Olympic hero, but is caught up in the Holocaust. Finally, the grandson, after surviving war, revolution, loss and betrayal, realizes that his ultimate allegiance must be to himself and his heritage.

7/10*


Angela's Ashes (1999)

Based on the best selling autobiography by Irish expat Frank McCourt, Angela's Ashes follows the experiences of young Frankie and his family as they try against all odds to escape the poverty endemic in the slums of pre-war Limerick. The film opens with the family in Brooklyn, but following the death of one of Frankie's siblings, they return home, only to find the situation there even worse. Prejudice against Frankie's Northern Irish father makes his search for employment in the Republic difficult despite his having fought for the IRA, and when he does find money, he spends the money on drink.

7/10*

L'aventure c'est l'aventure (1972)

When they realize the times are changing, five crooks decide to switch from bank robberies to personality abductions. Among their hostages are singer Johnny Hallyday and an ambassador in Latin America. They get framed by a guerrilla leader, who had been kidnapped by them before, and while being tried the French Government decides to let them flee to Africa where they get on with the same old game.

7/10*

Happiness only real when shared

Society - Into the Wild OST

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Oceans

Pearl Jam - Oceans at MTV Unplugged 1992

G.Marriet

A bebedora de absinto - Picasso (1901)

G. Marriet

Havia comprado a passagem para o comboio das 23h17. Se havia imagem da qual não se queria desfazer era a da sua triunfante chegada à Gare St. Lazare. O manifesto futurista dos candeeiros a alta velocidade, dividindo Montmartre e Pigalle, desenhando acordeões e concertinas, café-cremes e cavaletes. E um futuro que era bem mais alto do que conseguia sonhar. Eram 23h17 há 20 anos atrás.


Tão incerta como o tempo, Germaine Marriet, do alto de todas as suas manchetes, da auto-estima tipograficamente construída, das colunas do Le Monde e dos cabarets engasgados de gente, Marriet “la belge parisienne”, decidiu que era tempo de voltar. De um só trago, engoliu a réstia de absinto do copo baço, perdido em cima da mesa, e pela primeira vez sentiu o álcool rasgar-lhe a garganta, sem aplausos cegos ou bouquets de lilases, como quem mata um porco em Haute-Garonne. Instintivamente, deixou as moedas em cima da mesa. Já não precisava de as contar. Sentia-lhes a textura do mesmo modo que o cheiro do passar dos anos. Até logo, Jacques. Como todos os dias.


Às 23h17 o comboio partiu em direcção a Bruxelas, parando em Lille. Relembrou Antoine, o seu primeiro amor. Antoine era aquilo que na Bélgica se apelidava de flamingant, um rapaz de direita com algumas boas ideias para mudar o Mundo. A empatia, na estação de Lille, foi imediata. As diferenças ideológicas entre ambos pareciam contribuir para que a paixão se mantivesse viva e as tertúlias entre amigos raramente acabavam antes da madrugada. Embora nunca tivesse sido muito dada a questões políticas, a condição artística de Marriet empurrava-la para uma ala mais à esquerda. Inevitavelmente, 3 anos de rebuliço artístico em Paris arrastaram Marriet para longe do parlamento, das políticas económicas e do mercado capitalista que tanto pareciam fascinar Antoine. Em 1957, quando os 20 anos de Germaine queriam dizer apenas isso e quando Brel e Piaf lhe diziam mais que Antoine.


Chegou a Bruxelas já passava das 3 da manhã. O céu ensopado, como se nunca tivesse parado de chover nos últimos 20 anos. Abandonada, Bruxelas erguia-se apática e neutra à valsa da Europa, tímida como uma viúva que não sai à rua, inocente como uma jovem que tem horas para chegar a casa. Esperou durante meia hora pelo táxi que a iria levar a Grand Place, interrogando-se como teria sido a sua vida se nunca tivesse deixado a cidade. Mais calma, certamente. Estranhamente, aos 40 anos conseguia colocar a questão que aos 20 teria sido impensável.


Nas águas furtadas de um pequeno apartamento em Grand Place, o pai esperava-a vagarosamente, sentado num banco de madeira. Descascava uma laranja com a mesma languidez de quem aperta um nó de gravata numa manhã de funeral, aninhando as cascas num pequeno monte, saboreando o peso de cada gomo. O trinco rodou três vezes e o tempo definhou em Grand Place. Solene como quem espera um rei, como quem espera a morte, o velho ergueu-se, esquecido, levando a mão ao vulto errante de Marriet. Do outro lado de um abraço, a mesma janela, o mesmo vidro partido, o mesmo pombo, o mesmo pó. Lá fora a cidade enfraquecia e perdia-se na sombra de um novo começo.
Núria R. Pinto

terça-feira, 28 de julho de 2009

Mata-me um pouco mais

Quem disse que a saudade não mata, mente.
Porque hoje a chave na porta soube à tristeza dos dias mais sós. E no rodar do trinco engoli todas as lágrimas que este amor me obrigou a calar. Por amor.
Hoje não sei amar-te de outra forma. Soubesse, hoje, amar-te e ser feliz e todos os dias me pareceriam madrugadas de corpos despidos e mãos no cabelo. Mas hoje não sei amar-te assim. Porque o tempo se arrasta e me arrasta com ele e me esmaga contra a parede com a força dos dias em que não vens. E todos os quartos me parecem cantos onde me sento e me esqueço. Porque te amo...e tem um preço.
Soubesse amar-te de forma vazia e não seria o rio que sou hoje. E não sentiria o nosso amor com o desespero de carregar um oceano nas mãos.

Quem disse que a saudade não mata, mente.
Hoje o meu amor é do tamanho da distância que nos separa e pesa como um balde de sonhos sonhados de uma vez só.

Núria R. Pinto

Do you know my name when you're not in pain?

Dapunksportif - Friends come and go

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Obras de alunos finalistas da FBAUL (2007/08) em exposição na Galeria Palácio Galveias em Lisboa, até 3 de Setembro.

*
Horário:

Terça à Sexta das 10h às 19h
Sábado e Domingo das 14h às 19h
Encerra às Segundas e Feriados

Amar é raro

Amar é dar, derramar-me num vaso que nada retém e sou um fio de cana por onde circulam ventos e marés. Amar é aspirar as forças generosas que me rodeiam, o sol e os lumes, as fontes ubérrimas que vêm do fundo e do alto, água e ar, e derramá-las no corpo irmão, no cadinho que tudo guarda e transforma para que nada se perca e haja um equilíbrio perfeito entre o mesmo e o outro que tu iluminas. Dar tudo ao outro, dar-lhe tanta verdade quanta ele possa suportar, e mais e mais; obrigar o outro a elevar-se a um grau superior de eminência, fulguração, mas não tanto que o fira ou destrua em overdose que o leve a romper o contrato — o difícil equilíbrio dos amantes! Amar é raro porque poucos somos capazes de respirar as vastas planícies com a metade do seu pulmão; e amar é raro porque poucos aceitam a presença do seu gémeo, a boca insaciável de um irmão que todos os dias o vento esculpe e destrói.

Casimiro de Brito,
in 'Arte da Respiração'

sexta-feira, 20 de março de 2009

Deixa cá ver...(muito atrasado!)

Fevereiro e Março...Dois meses para esquecer, cheios de trabalho e stress em sacos do lixo... Fui, literalmente, consumida pela MONSTRA (www.monstrafestival.com - para que não restem dúvidas!) Peço desculpa aos que, volta na volta, vasculham o blog à procura de algo novo mas prometo que vos compenso com uma eventual onda inspiradora :)

De qualquer das formas aqui ficam algumas sugestões, visto que nem tudo é trabalho...Deixa cá ver!

  • Arte
Fui finalmente ver a exposição "O Surrealismo na Fundação Cupertino de Miranda". Peguei em mim e enfiei-me no 24 até Alcântara, desci até ao Calvário e apanhei o 15E até à Cordoaria Nacional, naquele que foi um passeio de Domingo a puxar para o chuvoso...e frio...Enfim, valeu a pena, pelo Cruzeiro Seixas, Raul Perez e António Quadros (peço desculpa aos outros mas estes dizem-me um bocadinho mais...) Vale a pena!

  • Música

Brel. Mais uma vez. E definitivamente.

(Ah e a Society -Eddie Vedder - daquelas que nunca farta... :)

  • Cinema

$9.99 de Tatia Rosenthal - O sentido da vida ao alcance de todos nós por apenas $9.99! O resto imaginem... xP

(tou com um bocado de preguiça... :S)

Núria R. Pinto

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Alice do outro lado do espelho

Fiquei estupidefacto com a xenoforia agudalisadora que experalisei durante o tardusco. Era um bicho nojilento de porte adamastal e garrifões esmiucecos, sem qualquer vestígio de asperonalidade de homem. Irraivecia-me o frunhir do bicho, que há érseculos não se me afrontecia, julgando até morsido, para regozalia minha. Qual não foi a estreza quando velociferomente, num becujo humiduro, reencontrei o vejento a rastear sozinho, podrilento e acabado. Tínhamos tido uma arrangadura que só não acabou em gravidorte porque não calhou.
Núria R. Pinto

18/2

Nunca compreendi a perfeição desmedida que imprimia em tudo o que fazia. Escrever transformava-se quase num ritual, em que todos os actos tinham um propósito e um significado próprios. A subtileza com que a caneta tocava no papel chegava a ser ameaçadora. Desde cedo tive que aprender a lidar com o facto da minha escrita avulsa e despreocupada ser tida como uma heresia cá em casa. Mas ela não. Quando escrevia parecia que pintava. Ironicamente, remetia-me para Botticelli e todas aquelas curvas e formas rechonchudas das senhoras nuas. Ela era assim. Descrevia sentimentos em círculos perfeitos.
Núria R. Pinto

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Pastor Amoroso

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma cousa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro