Nunca compreendi a perfeição desmedida que imprimia em tudo o que fazia. Escrever transformava-se quase num ritual, em que todos os actos tinham um propósito e um significado próprios. A subtileza com que a caneta tocava no papel chegava a ser ameaçadora. Desde cedo tive que aprender a lidar com o facto da minha escrita avulsa e despreocupada ser tida como uma heresia cá em casa. Mas ela não. Quando escrevia parecia que pintava. Ironicamente, remetia-me para Botticelli e todas aquelas curvas e formas rechonchudas das senhoras nuas. Ela era assim. Descrevia sentimentos em círculos perfeitos.
Núria R. Pinto
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