quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Moderadamente (mas não exageradamente)

Hoje cheguei a casa com aquele sentimento de que, afinal, as coisas até não são assim tão más! Foi um daqueles dias em que, com um sorriso rasgados nos lábios e uma vontade enorme de ser feliz, abri a porta de casa, larguei os trabalhos, as apresentações e as notas finais, meti um cd a passar e, com ar de alucinada, lavei a loiça, limpei o pó, arrumei a casa e cantei letras antigas até mais não! Hoje é um dia 'Líbidofrenéticoenérgicomusicalmentessencialmentemoderadementemasnãoexageradamentefeliz!'
Enfim, é uma perspectiva um bocado esquizofrénica e alucinada da 'coisa' mas...E então fiquei ainda mais entusiasmada quando relembrei as fantásticas capacidades de escrita do Manel Cruz, o 'Rei Ornato'! É aquela capacidade que ele tem de retratar a verdade nua e crua de forma poética e atrevida, percebem? Acho que é disso que preciso, verdade nuas cruas poéticas e atrevidas! Casava-me, digo-vos já...!

Deixo-vos um bocadinho da sua líbido...Divirtam-se!

A minha Líbido é tão sensível,
E quando vibra faz-me um homem tão incrível.
O meu corpo não é capa pr'ó teu livro mas,
Vou ensinar-te o que é sexo à moda antiga.
Eu nem digo dou duas sem tirar,
Quem sabe até tiro antes de acabar.
Eu quero deixar claro tudo o que é de mim,
E só depois de estar em paz eu posso dar.

Embora! Agora! Que a Líbido trouxe a morte aqui.

Olá que homem tão amável,
Traz um sorriso indeciso que achei agradável,
Mas não me sai da cabeça,
Quem uma voz na sua tenha dito tenta,
Protejo as costas evidentemente,
Sem humilhar respeito toda a gente,
Eu quero deixar claro tudo o que é de mim,
E só depois de estar em paz eu posso dar.

Embora! Agora! Que a Líbido trouxe a morte aqui.
Embora! Agora! Que a Líbido trouxe a morte aqui.
Já não dou.

Passei nas costas da lei,
Mas deu-me alento pra micar a carne rija,
Nesse aquário azul do azulejo:
Um estranho peixe,
Pratica um estranho beijo.
Outra imagem como no cinema,
A porta preta prenha de omissões.
Eu quero deixar claro tudo o que é de mim,
E só depois de estar em paz eu posso dar.

Embora! Agora! Que a Líbido trouxe a morte aqui.
Embora! Agora! Que a Líbido trouxe a morte aqui.
Já não dou.

Mal, mal! Tudo igual.
Ou tudo bem aparte a falta de sal.
Nesta rave todos todos seguem a praxe,
E todos trazem sua cota parte de haxe.
"Dá-lhe lume" - diz a doce dama,
O meu amigo não controla a chama,
A sua cara foi de quem sacou o jogo.
Eu quero deixar claro tudo o que é de mim,
E só depois de estar em paz eu posso dar.

Embora! Agora! Que a Líbido trouxe a morte aqui.
Embora! Agora, Que a Líbido trouxe a morte aqui. Já não dou.

Núria R. Pinto
Manel Cruz

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