Amor,
Todas as cartas de amor são ridículas. Não fosse esta mais uma carta de amor e não seria ridícula.
Nunca sonhei com príncipes encantados. Nunca fui daquelas meninas que brinca com bonecas em palácios, à espera que o príncipe encantado viesse salvá-la da torre num cavalinho. Nunca fui uma princesa. A vida, mesmo para uma criança como eu fui, era simples. E para uma criança de pensamento simples, o amor era esperar que se tenha idade suficiente até encontrar alguém de quem se gosta minimamente, e depois o tempo passa, e és feliz. Parece-te bem. Pelo menos, seguro. Eventualmente amas alguém. Quando tens 10 e ainda não tens bem a certeza se o coelho da Páscoa ou o Pai Natal existem ou não e nem consegues bem perceber como é que todas aquelas coisas nos filmes acontecem na TV e na vida real não, mas sabes que consegues dar a mão a alguém e sentires aquele amorzinho. Mais tarde, e há medida que amas mais e mais, naquela fúria de sentires que és amado por tudo e por todos, na necessidade desmedida de sentires que é desta que vais ser feliz, vais matando todos os fantasmas e, muitas vezes, todos os sonhos. E, estupidamente, todos chegamos aquela fase em que amamos com o corpo porque amar com o coração parece nunca ter resultado. Nunca fui uma princesa. Mas vais passeando por aí, conheces alguns príncipes, é verdade…O príncipe que te ama tanto mas que no fundo apenas te quer porque o amas; o príncipe que te ama tanto, mas tanto, mas que no fundo ama muitas princesas ao mesmo tempo; o príncipe que te ama tanto, mas tanto, mas tanto, mas que no fundo deixa de te amar quando o amas; e, entre milhares de outros príncipes, o príncipe que te ama tanto, mas tanto, mas tanto, mas tanto que tu achas que nunca na vida te irá encontrar.
Aquele que olha para ti e te faz sentir a mais bela do Mundo inteiro. Aquele que te ouve quando falas. Que te ouve melhor ainda quando não falas. Que te dá a mão quando precisas da força para enterrar as lágrimas. Que te faz sorrir quando choras. Que sabe chorar contigo. Aquele que te diz que és a mulher da sua vida. Aquele que te diz que és a sua vida. Aquele que se ri contigo, se ri de ti, se ri dele próprio. Que te faz rir. Aquele que te adormece com um beijo. Que te acorda com um beijo. Aquele que te diz que quer envelhecer contigo. Que te faz desejar que esse momento chegue depressa. Aquele que te diz que o Mundo não faz sentido sem ti. Aquele que te diz que és o seu Mundo. Aquele que te ajuda a superar tudo. Que supera tudo contigo. Aquele que te promete que vai ficar para sempre. Aquele que fica para sempre. Aquele que te vai buscar à China às 5h da manhã num autocarro lotado com dezenas de homem com mau aspecto e ainda fica à tua espera à chuva com um casaco para não te molhares porque não quer que te constipes. Aquele que fica contigo e te faz torradinhas e chá se te constipares. Aquele que quer gritar ao Mundo que te ama. Aquele que grita ao Mundo que te ama. Aquele que te diz que és a melhor coisa que lhe aconteceu quando estás insuportável e a única coisa que lhe apetece fazer é bater com a porta. Aquele que te diz sempre que sim. Aquele que sabe sempre quando te dizer não. Aquele que te aponta os erros que cometes. Aquele que sabe pedir-te desculpa. Que te pede desculpa. Que não é perfeito, não é um príncipe.
Nunca sonhei com príncipes encantados. Nunca fui uma princesa. E no entanto estou mais parte do sonho do que alguma vez estive na vida...porque te amo.
Truly yours,
Núria R. Pinto
2 comentários:
simplesmente lindo...fiquei maravilhada com este texto. foi a autora q o escreveu? se sim, muitos parabéns pelo brilhante talento.
cumprimentos :)
Fui sim! Muito obrigado pelo comentário, fico feliz por ter gostado :)
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