domingo, 2 de novembro de 2008

It's never too late to get bored...

Há muito tempo que não escrevo nada. Não escrevo porque não sinto. Quer dizer...sinto. Não é isso. Mas é triste porque só escrevo quando estou triste. Talvez um dia me transforme naqueles escritores com best sellers de década em década...ou não. É bem provável que não. Sou uma escritora preguiçosa. Estar triste não dá assim tanto trabalho! O que dá trabalho é sair da tristeza... O que a mim me irrita profundamente, porque escrevo de enfiada e depois tudo se esgota. Como os bébés [detesto esta metáfora, toda a gente a usa, é um cliché, eu sei, mas vou usar e pronto], quando começam a andar e se entusiasmam e depois caem e percebem que andar é normal e acabou. E depois cansam-se e começam a falar. E eu sou assim. Escrevo porque estou triste e depois fico feliz e é normal e acabou. Sim, porque é normal estar feliz. Todos estamos felizes a maioria do tempo e apenas não nos apercebemos. Estamos felizes porque é a vida. É a vidinha... Mas por outro lado até posso dar graças a deus [esta é outra, fazer de deus um apoio da linguagem não me parece muito certo. Quer dizer, eu estou-me nas tintas para isso. De facto.] por ter um temperamento um tanto ou quanto a puxar para o exageradamente melancólico, o que me permite fingir que estou triste quando afinal estou apenas aborrecida, o que parece confundir muita gente. Talvez faça como o mestre e desate para aqui a inventar outros eus. [Parece-me bem, mas não sei até que ponto o conseguiria fazer como ele, sem que me acusassem de esquizofrenia ou bipolaridade.] Enfim...tudo isto para dizer que nunca é tarde demais para estar aborrecido. À falta de melhor tristeza...
Núria R. Pinto

2 comentários:

Anónimo disse...

És tu... És assim... Sempre foste! Se estás feliz ou infeliz, não importa, tudo à tua volta se torna nesse mesmo estado... Se não se torna, azar, que se tornasse! Assim é o que escreves, mas tão mais na tristeza...
Quanto ao estarmos felizes a maior parte do tempo, não concordo, acho que felizes estamos pouco e só quando algo nos faz sentir realmente bem, o que é raro; indiferentes estamos a maior parte das vezes porque a tal vidinha não nos deixa estar nem tristes nem felizes, distrai-nos simplesmente do sentir (acho que mesmo que o procurássemos nesses momentos, acharíamos o vazio porque estamos num plano mais físico e concreto); e tristes estamos quando temos que estar...
Enfim... Coisas... De qualquer modo, acho que te assentava bem essa coisa de escritora de best sellers, quanto ao inventares outros eus acho que já não... És tu... És assim... Sempre foste... E sempre hás-de ser.. Só uma...

Beijos, gosto de ti (assim)...

Ana Sant'Ana disse...

eu concordo ctg qd dizes k estamos felizes maior parte das vezes mas sou da opinião k kem como "nós", tem a tendencia para a melancoia, por vezes estamos felizes e nem damos conta... pk tendemos a ver sempre o negativo e o triste da coisa. e os grandes best sellers eram melancolicos e as grandes obras nasciam dessa melancolia... por isso escreve qd tas feliz mas essencialmente liberta-te quando estas triste...

e pk n varios "eus"??!!! s fosse no ponto saudavel...